sábado, 16 de outubro de 2010

Qual o limite da exposição?

A minha geração é viciada em redes sociais, reality shows, blogs e tudo aquilo que possam de alguma forma expor quem somos. Trazendo o assunto para um panorama geral, fico com a pergunta: qual o limite da exposição?
A audiência se eleva para saber da vida alheia. Acredito que passado a fase deste excesso todo, deveremos entrar em um momento de "filtro". Tudo ficará exposto e portanto me interessará apenas o que for de fato relevante. E neste cenário, "parecer ser" será muito diferente de "ser". Hoje as marcas, produtos, serviços e empresas estão navegando em um mar a de "parecer ser". Parecem oferecer qualidade, parecem oferecer inovação, parecem oferecer ética. Desculpe o trocadilho, mas me parece que apenas parecem. No ritmo alucinado que o mercado passou a funcionar, as próprias marcas não conseguem mais manter isso (de forma geral), e o "parecer ser" acaba não sendo. Fica falso. Vira fake.
Do outro lado, está nascendo um novo perfil de consumidor. Uma geração que começa a cobrar a verdade. Cobra seus direitos. Rejeita uma marca e levanta a bandeira da destruição. Não quer se sentir personagem do show de exposição das marcas. Ele quer uma experiência verdadeira. Pode até não ser das melhores, mas que seja verdadeira.
Como se expor dentro dos limites da verdade? Como apresentar os valores e diferenciais que você de fato pode entregar? Não adianta uma marca entrar em um show, dizer que é a melhor, e no decorrer do jogo o público passar a odia-la. Isso é comum nos BBBs, e é um reflexo no comportamento de relacionamentos entre empresas, consumidores e a sociedade de forma geral. Esta nova geração que surge, está sendo "treinada" para reconhecer o que é verdadeiro.
Na dúvida do que dizer, diga a verdade. Na dúvida do que prometer, prometa menos. Tenho certeza de que só assim será possível se construir relações mais sólidas.
Pense nisto. Mas não se exponha! Apenas pense!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

... Ainda sobre a crise Européia

Já havia escrito aqui no Blog sobre as minhas perspectivas sobre o Brasil perante a realidade da crise Européia, mas tenho refletido tanto sobre o assunto durante a minha estada em Lisboa, que resolvi continuar escrevendo...
Sou de uma geração que cresceu sem acreditar no país. Somos filhos de pessoas que viram o Brasil passar por situações difíceis, inúmeras corrupções, criminalidade alta e outros tantos fatos que nos afastam de ter fé por aqui.
Mas quem está na faixa 25/35 anos, ainda terá pelo menos 30 anos produzindo e gerando oportunidades e desenvolvimento, e portanto, precisa ver o nosso Brasil de forma diferente.
Por aqui (em Portugal), o discurso sobre a crise é intenso. Existe os BRIC que são os países de maior crescimento, e existe o PIIGS, que são os países mais em crise na Europa, e citando na ordem do pior para o "menos pior", o PIIGS é composto por Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália. Estes países estão mal por aqui. Taxas altas de desemprego, PIBs negativos, deflação e por aí vai... E tirando Alemanha, França e Inglaterra, o resto tudo são os "primos" que estão ficando pobres.
Na realidade, não vemos pobreza na rua. Se você ficar apenas como turista, não irá perceber a crise. Mas ao olharmos números, visitarmos e conversarmos com diretores e donos de empresas (de diversos países Europeus), a crise é muito maior do que eu pensava antes de vir pra cá. Até aqui, os países Europeus sobreviviam apenas com importações/exportações entre si. A própria Europa mantinha a Europa. Mas isto tem mudado radicalmente, forçando os países daqui a olharem outros mercados. Para nós, Brasileiros, é ótimo. Para a Europa, a solução está na África e na América do Sul, em especial o Brasil. Lógico que existe um problema cambial que impede uma melhor transação e adaptação. Mas por tudo que estou vendo, a minha opinião é que os Europeus não terão saída a não ser desvalorizar o próprio Euro perante as moedas internacionais, principalmente dos países do BRIC. Para nós, mais uma vez, é ótimo.
Já vinha dizendo isto há uns dois anos, mas vou repetir. Meus filhos viverão em um país muito melhor. Terão acesso à Europa de uma forma muito mas fácil do que hoje temos.
Aqui eles usam o termo PEC (Plano de ESTABILIDADE de Crescimento) e nós, no Brasil, o PAC (Plano de ACELERAÇÃO de Crescimento), e estas duas palavrinhas definem bem a diferença das realidades Brasil/Europa.
É muito motivante poder participar de uma geração economicamente ativa no Brasil, que fará parte de toda esta mudança. Sempre fui um otimista pelo Brasil, mas agora acredito ainda mais! É preferível estar pobre mas vislumbrar a riqueza, do que estar rico e temer a pobreza!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Brasil, a "bola da vez"!

Estou fazendo um curso de Gestão de Negócios em Lisboa, Portgual, na ISCTE – Bussiness School e está sendo fantástico! Estou aprendendo sobre gestão de negócios? Não! Estou aprendendo a pensar globalmente. Não pense país, pense mundo! É este o recado que está ficando para mim e por isso gostaria de compartilhar com a geração 25/35 anos, onde muitos ainda questionam a importância de acreditar no Brasil.
A visão dos europeus sobre os mercados globais é muito interessante. Somente de perto podemos entender que realmente na prática, a União Européia ainda não é uma União. Nenhum país toma decisões por interesses da União acima dos interesses do seu próprio país, e enquanto for assim, jamais será uma União entre países. Além disto a crise de certos países da União Européia também coloca a Europa em cheque com relação ao seu futuro, no longo prazo. A Grécia está de fato puxando a UE para baixo, a crise é absurda e o deficit chega a mais de 65% do PIB. Outros países também estão em maus caminhos, como o próprio Portugal. Eles se consideram em crise, grave! Mas para nós, brasileiros, sabemos que isto ainda não é crise. É mais ou menos como um bilionário que mediante uma crise passa a ficar milionário. Ou seja, é crise mesmo, mas ainda segue-se rico. Não se vê pobreza na Europa, mas percebe-se nos jornais, nas escolas e nos profissionais um certo ar de preocupação com relação ao futuro. Parecem velhos ricos com medo dos jovens promissores. Que neste caso, somos nós.
Por falar nisto, o Brasil é sem dúvida a “bola da vez”. Somente saindo do Brasil é possível perceber o valor que o país vem tendo no mercado internacional. Participei de debates de economistas da UE e inclusive assessores de Fernando Henrique, e todos consideram o Brasil um país extremamente promissor. Há uma onda de empresas de investimento europeus de olho nos nossos mercados, além de grandes empresas brasileiras indo para Europa, e muitas utilizando Portugal como país de entrada.
A visão do povo Europeu é sempre de longo prazo, e é aí que nós brasileiros, ficamos míopes para enxergar o nosso crescimento. Não teremos um Brasil melhor em 2011, mas tudo indica que teremos um Brasil muito melhor, provavelmente entre as cinco maiores economias do mundo, até 2020.
Até lá? Acredite! Trabalhe! Reflita! Exija! Eu acredito, trabalho, reflito e exijo. E você?