terça-feira, 31 de maio de 2011

Quem tem pressa chega primeiro. Mas chega onde?

Já havia escrito um pouco sobre isto no post anterior, mas resolvi voltar aqui no blog e aprofundar um pouco mais.
Tenho feito alguns trabalhos de aconselhamento para profissionais que estão na transição entre 30/40 anos, projeto pelo qual dei o nome de “Bom dia 30 anos”. Nesta fase, muita coisa muda e infelizmente o ritmo acelarado que a nossa sociedade nos impõem não permite o ato de parar e refletir a respeito do que estamos plantando e o que estamos colhendo. Nos vemos pressionados pelo fluxo de uma carreira ascendente e corremos o risco de olhar para os lados apenas no fim da linha, e aí  poderemos ter perdido muitas coisas pelo caminho sem nem mesmo nos darmos conta.
É paradoxal. Vejo com muita frequencia executivos acima dos 50 anos reclamarem do alto preço que pagaram para chegar onde chegaram. Casamentos perdidos, filhos desacompanhados, pais afastados, amigos esquecidos, sonhos não realizados.
Do outro lado, temos uma geração (dos 25/35 anos) determinada a pagar qualquer preço para crescer. Se submentem à empregos de baixa renda, ambientes altamente pressionados, infinitas horas de trabalho, viagens intensas para diversos lados, baixo estímulo e reconhecimento. Tudo em nome do crescer.
Isto não parece estranho? Não seria mais interessante procurar um equilíbrio?
É justamente nesta faixa etária (25/35), que deixamos de ser energia pura em prol do futuro e passamos a ajustar a nossa energia com as nossas realizações. Já estamos em uma idade onde somos pressionados (por outros e por nós mesmos) para estarmos realizando, produzindo, conquistando. Deixando de ser promessa e passando a ser entrega.  E é neste ponto que as coisas começam a se enrolar. Não dá mais para viver apenas de sonhos e futuro, é preciso olhar e avaliar o presente. Ainda tem tempo para mudar o caminho, mas já não podemos mais nos aventurar e colocar tudo o que já se fez em risco. Nestes momentos, mais importante do que a velocidade, é a direção. O problema é que o ambiente que vivemos nos leva justamente para o oposto, onde tudo precisa ser feito para ontem. O cargo de diretor, o alto salário, o status social, o carro importado, a casa dos sonhos… tudo precisa ser conquistado já. O problema é que isto tem um preço alto, invisível aos olhos presentes e nossa geração está sendo empurrada pelo sistema a se desenvolver neste formato.
Se somos uma geração apressada por natureza, então que também se apresse o desejo de auto-conhecimento, de seguir seus sonhos, de respeitar seu ritmo. Utópico? Talvez! Mas o fato é que isto precisa ser refletido.
Recentemente vi em uma campanha publicitária uma chamada muito inteligente: “quando você chega lá, o lá ainda está lá?”. A pergunta é ótima, e pessoalmente acredito que não. O nosso “lá” muda o tempo todo, e frustrante ou não, você nunca chega lá. Isto é diferente de se sentir realizado, que para tal, cabe o exercício constante da celebração das conquistas. Mas o “chegar lá” é futuro, por natureza. Se você entender que chegou lá, então não deseja mais nada e portanto, fim da vida para você. O “chegar lá” é estímulo, é meta, é ambição. E assim deve ser.
Questione o seu “lá”, poise le foi feito para ser mudado. Mas tenha pressa por se sentir bem. Tenha pressa por ir realizando as coisas ao seu tempo. E por fim, não tenha pressa de chegar lá, pois quando chegar o lá não estará mais lá.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Até onde você se reinventa?

Reivente-se.
Gosto muito desta palavra. Leva-me, em primeiro grau, a pensar. Depois, me leva a agir. Quase que uma provocação ao leve comodismo que todos nós, invariavelmente, em algum momento possuímos.
Algumas vezes, temos a idéia de que reinventar é algo que dá muito trabalho, que é algo que custa caro e que há muitos riscos.
Não mudamos simples e unicamente porque gostamos de mudar. Mudamos porque gerar resultados exige, hoje, mudanças.
Mas independente do trabalho e da área de atuação, reinventar é algo presente em todas as nossas relações.
Reinventar a forma de educar os filhos, de escolher namoradas, de procurar empregos, de dar presentes, de dizer “eu te amo”. Tudo pode, sempre, ser reinventado.
Até onde você se reinventaria?

domingo, 8 de maio de 2011

Bom dia 30 anos!

A vida é mesmo interessante. Feita de ciclos.
Sou de uma geração que nasceu sendo programada para se dar bem na vida. Somos filhos de pais que cresceram em clima de repressão e resolveram dar a devida liberdade de escolha aos seus filhos, nós, a geração dos trina anos. Junte isto com um mundo cada vez mais competitivo e capitalista, onde o ter parece mais importante do que o ser, e você terá um grupo de jovens ansiosos por conquistarem seus espaços.
Me via assim quando era adolescente. Uma enorme ambição. Uma espécie de necessidade de provar que seria possível fazer algo diferente, e melhor. Cresci ouvindo que eu era a geração do futuro. O curioso, é que hoje eu já não sou mais desta geração, faço parte da turminha do presente. No passado eu tinha o álibi da idade, da pressa e da inexperiência. Eu era apenas uma hipóstese. Eu fazia parte de uma estatística dos jovens que teriam chance de crescer profisionalmente. Comecei a trabalhar cedo, fiz faculdade, bons empregos, boas promoções. Resolvi seguir o caminho do empreendedorismo e montei meu negócio. Quebrei. Persisti. Quebrei novamente. Persisti. No meio disto tudo, chorei. Mas também sorri e aprendi.
Hoje me considero bem sucedido. Ainda abaixo dos planos que fiz quando tinha quinze anos do que eu seria aos trinta. Mas venci. Estou acima da média, e hoje componho a estatísticas dos conhecidos jovens-executivos-em busca do primeiro milhão-estressados-e com gastrite. Isso é bom? Não sei. Não pretendo aqui neste blog definir o que é bom ou o que é ruim. O fato é sou resultado desta história.
O difícil, ao completar trinta anos, é entender que agora não sou mais uma hipótese, não sou mais o futuro, não sou mais um mero aprendiz. Sou presente, comprovo o que sou pelo que já fiz e não pelo o que eu digo que irei fazer. Hoje eu ensino. Hoje eu corro para aprender.
No papel, isto parece óbvio e fácil, mas não é. É difícil compreender o momento que esta transição ocorre. Na verdade, não percebemos esta transição, ela simplesmente ocorre e quando vemos, já estamos em um outro cenário.